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Destaques

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DIÁRIOS DO FUTURO 4/5 - Epifania Humana

Diário de Andre Bello na Conferência Global da Singularity University

São Francisco, 30 de agosto de 2016

Ao terceiro dia de evento todos já pareciam mais íntimos. Como se estivéssemos nos acostumando à carga de novidades e informações. Os rostos eram mais familiares e o pensamento exponencial aos poucos começava a fazer parte de nossas vidas.

Mais uma vez as atividades começaram cedo, antes mesmo do café da manhã. Um grupo de participantes se aventurou por corridas pelas ruas da cidade enquanto outros transcenderam suas mentes em sessões de meditação. Algo dizia que devíamos preparar ainda mais espaço em nossas mentes para o que vinha por aí. Afinal, não podemos nunca subestimar a singularidade.


Recapitulando as emoções do dia anterior, Will Weisman, o mestre de cerimônia, subiu ao palco desta vez vestido de astronauta. Deu boas vindas em tom bem humorado à etapa final daquela jornada. Suas palavras deram vez a um tema aguardado por muitos, talvez pelo flerte que estas tecnologias nos fazem já há algumas décadas. A realidade virtual e a realidade aumentada.

Aplausos soaram no salão principal para a entrada dos veteranos Philip Lelyveld, da Virtual Reality / Augmented Reality Initiative at the University of Southern California’s Entertainment Technology Center (ETC) e da Dra. Jacquelyn Ford Morie que há 25 anos se dedica ao desenvolvimento de tecnologias multissensoriais para Realidade Virtual. 



Will Weisman vestido de astronauta

 
Um incrível panorama histórico foi apresentado. As toscas experiências do século passado foram confrontadas com o avanço contemporâneo. Um choque que acabou por comprovar que as tecnologias que vão invadir nosso mundo realmente começam de forma sorrateira, quase desesperançosas.

Foram abordadas as aplicações em alto grau de desenvolvimento e seus impactos em diversas indústrias, da educação à neurocirurgia, das relações com o espaço público às novas interfaces e interações sociais. Os games e a geração de novos conceitos midiáticos que vão muito além do storytelling, chegando ao storymaking. Experiências sensoriais, empáticas, cinestesia e até experiências extra-corpóreas. Segundo os especialistas, os limites entre realidade e virtualidade serão rompidos num caminho sem volta. Na minha ignorância não ouso discordar de mais nada.


Philip Lelyveld, um veterano da Realidade Virtual


Como era de se esperar, e sem trocadilhos, uma nova janela se abriu nas mentes dos participantes. Aliás, inúmeras janelas se abriram diante do abissal impacto que esta tecnologia potencialmente pode provocar na raça humana. De forma que as exposições naturalmente alcançaram questões éticas, indo muito além dos pedidos do Museu do Holocausto pela distância dos caçadores de Pokémon.

Como de praxe, após a primeira sessão do dia, os assuntos explodiram em torrentes paralelas de especialistas visitando novos olhares e novos paradigmas. Não pensei que ainda fosse possível encontrar mais surpresas. Mas, sim, era possível!