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DIÁRIOS DO FUTURO 5/5 - De volta ao mundo normal (ou não)

DIÁRIO DE ANDRE BELLO NA CONFERÊNCIA GLOBAL DA SINGULARITY UNIVERSITY

Poucos dias se passaram, mas muitas coisas aconteceram. Voltando ao mundo real preciso de alguns instantes para me readaptar ao cotidiano da maior parte da população mundial. Os novos paradigmas vislumbrados e experimentados no Global Summit da Singularity University foram tão intensos que fizeram o tempo girar numa velocidade diferente. 

 São Francisco parecia um universo hiper-acelerado e o mundo do lado de fora parecia rodar em câmera lenta.



Talvez pelo peso de uma intensa injeção no cérebro que nunca me deixará esquecer o embate entre o Pensamento Linear e o Pensamento Exponencial. Talvez pelo choque de realidade que marcará para sempre minhas memórias. Lembranças do quão despretensiosamente nascem as tecnologias exponenciais e seus botes rumo ao infinito e impactos massivos. A ousadia de visionários da Singularity University que nos abre os olhos para as abundantes possibilidades que se descortinam diante de nós, todos os dias. O impacto que estamos prestes a testemunhar enquanto espécie.

Uma frase atribuída a Einstein diz que “uma mente que se abre nunca voltará a seu tamanho original” e talvez seja essa a sensação ao experimentar o gostinho da singularidade. Um conceito tão difícil de se fazer entender… Principalmente num mundo cheio de vícios e amarras ao passado.

Mas, independente das leis e teorias, defendidas, refutadas ou aceitas pela comunidade científica, o que mais nos entusiasma (e amedronta) é a face da singularidade que prevê a inexorável fusão entre a evolução biológica e a evolução computacional. Se hoje exoesqueletos e próteses biônicas manufaturadas em impressoras 3D estão em contato direto com nosso corpo, a ideia de que um dia o homem e máquina viverão em total sinergia, como um único ser, nos deixa apreensivos diante de toda a enxurrada de mudanças, conflitos e dilemas ético-morais que virão a reboque.



Estamos em rota de colisão com o momento em que o avanço tecnológico poderá solucionar os maiores desafios da humanidade. A computação infinita, a inteligência artificial e a nanotecnologia serão capazes de curar as doenças que nos assolaram durante séculos e poderemos construir novos modelos energéticos com capacidades infindáveis.

Muitos discordam dessas controversas possibilidades, mas há quem dedique suas vidas e suas privilegiadas inteligências a defender tais ideias (leia-se Ray Kurzweil, Peter Diamandis, Salim Smail e companhia).

Afirmam categoricamente inclusive, que, dentre os recém-nascidos em 2016 está o homem ou a mulher que chegará a viver 400 anos. E que quem nascer a partir de 2045, dizem, já não mais temerá a morte como a conhecemos hoje. Chegaríamos finalmente aos seres humanos que nunca morrerão.