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CRIE INDICA

NADA SERÁ COMO ANTES

O que aprenderemos com a atual crise? Vamos fazer com que este depois seja muito melhor? 

Para debatermos essas questões, convidamos todos vocês a participarem da Live com o coordenador do CRIE, prof. Marcos Cavalcanti, na próxima quarta-feira, dia 1o de abril. Atualmente morando nos EUA, o prof. Marcos contará um pouco da sua experiência em meio a pandemia instalada globalmente. Como os americanos estão se mobilizando para atender as demandas de educação, a aceleração do mundo digital. 

A Live será via Facebook do CRIE, às 17:00, no dia 1° de abril. 

Imperdível! Anotem aí.

LIVE MARCOS CAVALCANTI
1° DE ABRIL ( QUARTA-FEIRA)
17:00
VIA FACEBOOK DO CRIE


Material complementar da live, publicado no Blog Inteligência Empresarial

Nada será como antes

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de vocês?
Sei que nada será como antes, amanhã ou depois de amanhã
(Nada será como antes, Milton Nascimento e Beto Guedes)

O mundo já viveu guerras e outras crises, mas nenhuma como esta. A crise de 2008 e o crash da bolsa americana em 1929 afetaram basicamente o setor financeiro e poucos países. Os reflexos se fizeram sentir em outros países e setores, mas de forma mitigada e em diferentes momentos do tempo. Outros vírus se disseminaram pelo mundo, mas de forma menos intensa e rápida e com muito menos impacto econômico. É a primeira vez que vivemos uma crise global, com impactos na vida do dia a dia de mais de 6 bilhões de pessoas. E sem escalonamento no tempo. Todos vivenciando a crise no mesmo tempo! 

Ainda é cedo para entendermos o que isto vai mudar de forma definitiva em nossas vidas. O apagão elétrico no Brasil nos ensinou a gastar menos energia (apagar a luz quando não estamos no local, diminuir o uso do micro ondas...). E agora?

Acredito que podemos identificar pelo menos três tendências muito claras:
1. Intensificação do digital
Uma primeira consequência, bem óbvia, é uma aceleração da digitalização de nossas vidas. Mesmo setores com baixo índice de digitalização, como a educação, vão dar grandes passos nessa direção.

2. Volta ao básico
Outro aprendizado, paradoxalmente, será uma volta ao básico: preparar sua própria comida, ter uma horta... As pessoas vão ter mais tempo para si mesmos e sua família, com tudo de bom e ruim que isto traz. Vamos ter que aprender a usar melhor nosso tempo, fora da roda viva infernal na qual transformamos nossas vidas. Muitos de nós não sabem mais ficar quietos em casa, pensar na vida, baixar o ritmo. Vamos ter que aprender...



3. Mudanças na economia
Mas o maior impacto vai ser na economia. A recessão que vem atrás do vírus é de uma dimensão nunca vista na história da humanidade. Não afetará alguns países, de forma diferenciada na intensidade e no tempo, como as outras. Será ao mesmo tempo, em todos os países, e de forma devastadora.

Pensem nas conexões: os bares e restaurantes que estarão fechados empregam 10% da força de trabalho nos Estados Unidos e são mais de 1 milhão no Brasil! Sem os clientes pagando, os restaurantes não podem comprar de seus fornecedores, pagar os alugueis. Os motoristas de Uber vão ter menos trabalho, o Airbnb vai gerar menos renda para as pessoas, que vão ter menos dinheiro para consumir... Pior, todos que dependem do seu próprio trabalho: pequenos negociantes, dentistas, profissionais liberais, vão ter uma queda brutal e repentina em suas rendas. E tudo isto em escala global!

O "mercado" não vai conseguir regular isto! Vai ser preciso uma forte intervenção do Estado. Mais do que nunca a ideia de uma renda mínima universal vai ficar clara. Assim como foi feito com os bancos, no passado, os governos vão ter que ajudar os pequenos comerciantes e os trabalhadores por conta própria a chegar até o final do mês. As medidas econômicas tradicionais não serão suficientes, vamos ter que ser criativos. Os antigos modelos vão ter que ser repensados. 

Vão ser momentos intensos, mas acredito que vamos mostrar todo o potencial de superação de crise que temos. Já fizemos isto antes e vamos fazer agora. Toda crise é também uma oportunidade. As redes vão nos ajudar a encontrar e construir novos caminhos. As aulas não vão se limitar ao espaço da escola, os negócios vão ser reinventados usando as novas tecnologias, e mais do que nunca vamos entender por que devemos investir em ciência e tecnologia para preparar não apenas nosso futuro como nosso presente. 

Chegou a hora de fazer diferente! Como diria Einstein, "as coisas não mudam se sempre fazemos o mesmo. A crise traz progresso e a criatividade nasce da angústia. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias". Sem crise não aprendemos, e é na crise que aflora o que temos de melhor e pior, ajudando a separar o joio do trigo. 

Nada será como antes. Vamos fazer com que este depois seja muito melhor?