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Tecnologias de troca

Precisamos falar sobre Bitcoin

Precisamos falar (seriamente) sobre Bitcoin

Não vemos o dinheiro como uma tecnologia, mas é. Sempre foi.

O dinheiro é uma forma das pessoas estabelecerem trocas de forma mais confortável.

Surgiu para resolver o problema de alguém que tinha um porco, mas queria comprar apenas duas laranjas. Não havia como tirar as patas sem mata-lo.

O dinheiro precisa de tecnologia que as pessoas reconheçam como válida e confiável para representar esforço de cada um e de todos.

É fato: sem a sofisticação do dinheiro, o mundo estaria na idade da pedra.

Das moedas de ouro e prata do mundo oral, passamos para as cédulas de papel como subproduto da invenção da prensa de Gutemberg, em 1450, na Alemanha.

Sem as impressoras de livros, não se poderia imaginar o dinheiro em papel, que foi a base de evolução da sociedade moderna, da própria república e do capitalismo.

Da mesma forma que sem o computador, não se poderia imaginar os cartões de crédito e débito, como depois o Internet Banking.

E será justamente essa evolução tecnológica do dinheiro, que vai nos levar à difusão e irreversível do Bitcoin e similares em futuro não muito distante.

Por quê?

Simples.

Conforme aumentamos a população, temos demandas obrigatórias cada vez mais complexas - o que nos leva a ter que sofisticar a sociedade, através de novas Tecnologias de Troca, o que implica também sofisticação da tecnologia do dinheiro.

Ou seja, como todo o resto, incluindo o modelo de administração, o dinheiro também fica obsoleto, conforme vamos aumentando a população.

Assim, a história do dinheiro está diretamente ligada ao tamanho da população e as Tecnologias de Trocas disponíveis, que nos ajudam a nos comunicar, aprender, trocar, nos relacionar, negociar, calcular.

Quando tais tecnologias se alteram, quem vive em torno do dinheiro - foi assim na macro-história - se vê obrigado a dar um salto de pirueta  em trampolim de dez metros.

Fala-se muito em mudanças (agilidade, mobilidade, entre outras), mas a principal que estamos passando não é a chegada nem do Banco Original e nem do Nubank. São projetos novos e inovadores, mas não disruptivos, como o que virá.

Viveremos no mercado financeiro a Uberização do dinheiro: a descentralização, a participação da sociedade, viabilizada por robôs.

O Uber é um primeiro passo, ainda primitivo, nessa direção. A base do dinheiro 3.0 vem também das experiências do compartilhamento de música, como o Napster e o PopCorn Time.

É um pouco de tudo isso e mais um pouco.

A nova etapa da Revolução Digital vai descentralizar a produção, guarda, controle do dinheiro e tirará das atuais organizações a principal função, o que gerará gradual perda de valor, incluindo a inviabilização do conceito de Banco Central.

Banco central, aliás, é um bom nome que vai completamente contra ao conceito de moeda descentralizada, como defende os defensores do Bitcoin.

Estamos podendo criar este mundo novo por causa da criação dos rastros digitais, gerenciados por robôs, uma espécie de grande Serviço de Proteção ao Crédito, que é o coração do Uber e dos modelos P2P (peer-to-peer)..

O motivo principal do surgimento do Bitcoin: é um tipo de Dinheiro 3.0, mais compatível comum mundo de sete bilhões de pessoas, que precisam trocar de forma cada vez mais rápida, melhor e mais barata, sem tanto controle.

Há no horizonte uma nova Economia 3.0, na qual um centro validador, em todas as áreas, está gradualmente perdendo valor e ficando obsoleto.

Isso está ocorrendo gradativamente na política, na religião, na escola, na ciência e também no mercado financeiro.

Quando se ouve falar em BlockChain parece algo confuso. 

E é, pois faz parte de outra base lógica, que fere o senso comum do século passado. Questiona as bases religiosas, filosóficas, teóricas e metodológicas de tudo que aprendemos sobre organizações, administração e dinheiro até aqui.

É algo que não funcionaria nunca há vinte anos e será hegemônico nos próximos vinte de forma muito rápida.

Estamos iniciando, na verdade, processo de descentralização da produção, controle e manipulação do dinheiro na sociedade. É esse o coração da mudança, o resto tem que ser visto como detalhe.

Este fenômeno é consequência da união de três macrotendências do novo século: descentralização, participação e robotização.

O Nubank e do Banco Original descentralizaram, mas ainda não robotizaram e nem aumentaram a participação das pontas para o centro. Esta é a nova etapa, a uberização do mercado financeiro e da moeda.

Não é um movimento de continuidade, mais de descontinuidade  , algo que já ocorreu em outras Revoluções Cognitivas no passado e está se repetindo agora.

Como sobreviver?

É preciso criar iniciativas disruptiva fora dos muros organizacionais para gerar a semente da nova cultura e criar novas mudas, árvores e florestas com outra lógica.

Não há crise no mercado financeiro, apenas há crise das organizações que vivem do mercado financeiro do século passado.

Para ajudar nessa crise que surge novo ramo de consultoria e capacitação: o Bussiness Digital Transformation, já com vários players no mercado.

Tais profissionais precisam garantir aos clientes boa leitura do cenário (se possível com uma visão Macro-Histórica) apontar alternativas viáveis, baratas e eficazes para quem quer gerar valor num século veloz e disruptivo.

É preciso, assim, um papo sério sobre Bitcoin.


Nepô (Carlos Nepomuceno)

Pesquisador do CRIE e Consultor para Implantação de Projetos Colaborativos




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