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Os desfaios de uma nova era - a era do conhecimento

Projeto Tardes do Saber - Gestão do Conhecimento na Administração Pública

Com auditório lotado, a Escola de Contas e Gestão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (ECG/TCE-RJ) realizou, nesta quarta-feira (27/4), mais uma edição do projeto Tardes do Saber, desta vez sobre o tema ‘Gestão do conhecimento na administração pública', reunindo especialistas que destacaram os desafios de uma nova era – a era do conhecimento, recurso essencial e diferenciador das organizações públicas e privadas no século XXI. O seminário foi encerrado com um debate entre o público e os convidados.

 

O encontro contou com três palestras. A professora Ana Celia Castro, vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento da UFRJ, falou sobre o tema Construindo pontes: governança do conhecimento, redes e mercados de conhecimento e capacitações dinâmicas. Em seguida, o professor Marcos do Couto Bezerra Cavalcanti, professor do Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ, ilustrou, com uma série de exemplos bem-humorados, o que é a sociedade do conhecimento na prática ao falar sobre Gestão do conhecimento: big data, open data e nós com isso?. Finalizando a agenda, Leonardo Burlamaqui, professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), falou sobre Produção, difusão e democratização do conhecimento: recuperando o interesse público.

 

A professora Ana Celia Castro expôs uma série de conceitos e resultados de pesquisas para ilustrar  sua palestra. De acordo com a pesquisadora, a governança do conhecimento é, na prática, "a habilidade de gerar e transferir os ativos de conhecimento para benefício da sociedade. É construir a ponte". Ela destacou o papel decisivo do estado no incentivo de novas tecnologias e inovações desenvolvidas através da geração do conhecimento. "A capacidade das estatais pode ser traduzida como o conjunto de instrumentos e instituições que o estado possui para gerar e implementar políticas públicas para a produção de inovações. No Brasil, por exemplo, temos o marco legal que define o que pode ou não, que induz as políticas de inovação. Na China, o sistema bancário financia diretamente as empresas, desde que entenda que essas empresas vão realmente produzir e entregar inovações significativas. É um sistema mais ágil do que no Brasil. No nosso contexto há uma institucionalidade, sobram exigências e marcos legais", destacou.

 

Ao encerra sua apresentação, a pesquisadora apresentou um caso de sucesso institucional ao citar ações e resultados conquistados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "A Embrapa é um exemplo de governança do conhecimento. Ela conta com a colaboração de mais de 50 instituições de pesquisa em diversas áreas. Uma das plataformas, a do café, por exemplo, gera conhecimento em áreas como saúde, produção, distribuição, energia, entre outras", exemplificou.

 

No segundo painel, o professor Marcos do Couto Bezerra Cavalcanti chamou atenção para o papel fundamental do conhecimento no mundo atual. Ao diferenciar dados, informação e conhecimento, ele enfatizou que o último é produzido pelas pessoas, já que a tomada de decisão é feita a partir do conjunto de dados e informações. "Na maior parte das vezes, a gente está gerenciando, na verdade, a informação e não o conhecimento, que é uma coisa individual, propriedade das pessoas e não das organizações", afirmou.

 

O professor destacou ainda o trabalho desenvolvido no TCE-RJ, apontando três aspectos relevantes em relação ao conhecimento. O primeiro é o de delegar ao cidadão o poder de fiscalizador através de denúncias. O segundo é como integrar esse cidadão no processo, ou seja, abrir os dados, não só torna-los acessíveis, mas sim compreensíveis. O terceiro aspecto engloba o gerenciamento do conhecimento, como transformar a experiência individual em experiência organizacional.       

 

Último palestrante da tarde, o professor Leonardo Burlamaqui encerrou o seminário chamado a atenção para a importância da disseminação e o fomento do conhecimento na área pública. Abordando temas como patentes privadas e o risco de seus monopólios, e utilizando exemplos de países que incentivam as inovações que acabam por ampliar o conhecimento e, por consequência, a produção de riqueza e desenvolvimento – caso dos Estados Unidos e da China, por exemplo –, o professor destacou que governança e conhecimento voltados para o interesse público formam uma combinação bem sucedida para todos.